O Dia da Toalha e o Mochileiro das Galáxias

a toalha e o mochileiro

Se você não está entendendo porque a internet amanheceu cheia de toalhas, golfinhos e baleias, nem porque as pessoas estão usando o número 42 no lugar das fotos de perfil, é porque hoje, dia 25 de maio, se comemora o Dia da Toalha, uma homenagem ao escritor e comediante britânico, Douglas Adams, autor da série de ficção científica “O Guia do Mochileiro das Galáxias” considerada por muitos como a bíblia nerd.

A história começa quando Arthur Dent, um inglês comum, ainda tenta processar o fato de que sua casa será demolida para dar lugar a uma estrada. Por conta da burocracia, para impedir a demolição, Dent precisaria ter ido, meses antes, à prefeitura pedir o cancelamento de uma obra que ele nunca soube que existia. O lado bom é que ele não precisou dormir um único dia na rua, já que logo depois de perder sua cada, uma raça alienígena comunicou que a Terra também seria demolida pra construção de uma via expressa hiperespacial, o que só teria sido evitado se os terráqueos tivessem ido à um escritório, meses antes, em outra galáxia, para solicitar o cancelamento da obra.

O mundo acaba, mas Arthur é salvo por um de seus melhores amigos, Ford Prefect, que na verdade, é um correspondente alienígena do livro mais importante do universo: ‘O Guia do Mochileiro das Galáxias’. Antes de sair do planeta, a única coisa que Arthur consegue pegar é a sua toalha, que segundo Ford, é uma das mais complexas ferramentas já inventadas desde o Big Bang.

Com um humor ácido e nonsense, descrito por muitos como um mash-up perfeito entre ‘Doctor Who’ e ‘Monty Python’ (2 programas aliás, onde Adams trabalhou como roteirista) as aventuras do mochileiro que começaram como um programa de rádio da BBC em 1978, chegaram à tevê, ao cinema (em um filme de 2005 estrelado por Martin Freeman de ‘Sherlock’ e ‘Pantera Negra’) e aos games, mas ganharam mesmo o mundo na forma de livro (5 deles, para ser mais exato). com mais de 20 milhões de cópias vendidas e traduzido para mais de 30 idiomas, o Guia mudou para sempre o cenário da cultura pop mundial.

O estilo de Adams envolve conceitos complexos de tecnologia, biologia e outras ciências. Você pode ser um completo zero à esquerda em matemática ou química, mas ainda poderá se divertir com o Guia. Mas quanto mais souber melhor os livros vão lhe parecer.

Uma das sacadas mais geniais de Adams foi escrever o Guia como se ele fosse uma obra extraterrestre, publicada em todo o espaço. Essa mudança permite ao autor criar passagens e descrições inimagináveis em outros livros. Do ponto de vista do Guia, tudo que faz referência ao espaço, aos raças de aliens e seus hábitos é encarado com profunda naturalidade enquanto os humanos são vistos como seres primitivos e bizarros.

Se você ainda não leu essa série, eu tenho uma profunda inveja de você, por ainda ter algo desse porte para descobrir.

Porque Dia da Toalha e porque 25 de maio?

 

A história do Dia da Toalha começa com a morte de Adams em 11 de maio de 2001, por conta de um problema cardíaco. Os fãs queriam um dia dedicado ao autor e sua obra, mas não conseguiam chegar a um consenso sobre a data. Várias ideias surgiam nos fóruns, a maioria envolvendo o número 42 (na história de Adams, alienígenas perguntam a um supercomputador qual é a reposta para a Vida, o Universo e Tudo mais, e a máquina responde: 42!).

O que fazer, então? Transformar o 42º dia do ano em Dia do Douglas? Comemorar na 42ª sexta-feira do ano? Ficou decidido, então, que a homenagem seria feita quando se completassem 42 dias da morte de Adams, em 22 de junho.

Incomodados com a demora, um grupo optou por outra data pra homenagear Douglas. Escolheram o dia 25 de maio, quando se completariam 2 semanas da morte do criador.

Por coincidência (ou não, vai saber!) foi no dia 25 de maio de 1977, que Star Wars foi exibido pela primeira vez nos cinemas. Em 2006, quando o filme de Feorge Lucas completou 29 anos, os fãs perceberam que as datas batiam e a comunidade geek fundiram as datas e o Dia da Toalha passou a ser também o Dia do Orgulho Nerd.

Algumas curiosidades

 

  • A toalha é referência aos cartazes que a Inglaterra espalhou pelo país depois dos bombardeios alemães na Segunda Guerra Mundial. A mensagem “Keep Calm and Carry On” (algo como “mantenha a calma e continue seus afazeres”), foi satirizada por Adams como o mandamento dos mochileiros intergalácticos: “Don’t panic and carry a towel” (“Não entre em pânico e leve uma toalha”).
  • Para escrever O Guia do Mochileiro das Galáxias, Douglas Adams se inspirou em um guia de viagem para a Europa. Ele teve o insight em um sonho, enquanto dormia bêbado em um campo da Áustria, chateado por não conseguir se comunicar com os moradores da região.
  • Um dia antes de sua morte, o Minor Planet Centre of the International Astronomical Union batizou o asteróide 18610 de “Arthurdent”, homenagem ao personagem Arthur Dent, de O Guia do Mochileiro das Galáxias.
  • A pedido de David Gilmour, vocalista do Pink Floyd, Adams batizou um dos discos da banda (“The Division Bell”). Como pagamento, o músico doou 5.000 libras esterlinas para uma instituição de caridade escolhida pelo autor.
  • O tradutor on-line Babelfish recebeu esse nome graças ao peixe-babel imaginado por Adams em O Guia do Mochileiro das Galáxias. De acordo com o livro, “o peixe-babel era um pequeno animal que, introduzido no ouvido da pessoa, era capaz de traduzir qualquer língua da galáxia para o idioma de seu hospedeiro”.
  • Já o software de mensagem instantânea Trillian é uma homenagem à mocinha do livro.
  • Douglas foi um pioneiro na revolução dos computadores pessoais nos anos 80. Ele foi o dono dos dois primeiros Apple Macintosh vendidos no Reino Unido e trabalhou intensamente no desenvolvimento de games, como “The Hitch Hiker’s Guide To The Galaxy”, “Bureaucracy” e “Starship Titanic”.
  • Adams costumava tomar banho de água quente até que tivesse uma ideia para seus livros. Sua conta de água era bem alta.
  • No dia de sua morte, seu site ficou repleto de mensagens de condolências, a maior parte simplesmente dizendo: “Até mais e obrigado pelos peixes”, um dos bordões clássicos da saga. Essa mesma frase está gravada em sua lápide.
  • Durante uma palestra, o autor Neil Gaiman disse que ele havia sido hóspede na casa de Adams e que havia perguntado ao autor “Cadê as toalhas?”. A resposta: “Eu não sei”. Metade da platéia deu um risinho constrangido. Gaiman disse, ”Muitos de vocês não sabem por que é engraçado que Adams não soubesse de suas toalhas. Que pena.”Ele tinha orgulho de suas iniciais DNA (Douglas Noël Adams)e costumava se gabar disso.
  • Adams era um procrastinador inveterado. Ele chegou a viajar para a Austrália como convidado para o test-drive de um submarino só para não cumprir um prazo. Uma vez seus editores tiveram que prendê-lo num quarto de hotel para que ele terminasse um livro.
  • Em 1985 o aluno de mestrado de Carnegie Mellon Feng-Hsiung Hsu iniciou sua dissertação sobre xadrez computacional. Ele propôs uma máquina para jogar xadrez chamada ChipTest, rebatizada tempos depois como Deep Thought em homenagem ao supercomputador do Mochileiro das Galáxias. Um colega seu, Murray Campbell também trabalhou no projeto e em 1989 ambos foram contratados pela IBM. Lá, junto com outros pesquisadores, eles continuaram o projeto que passou a ser conhecido com Deep Blue, uma combinação de Deep Thought com a cor oficial dos ternos usados pelos vendedores da IBM. Em 1997, o Deep Blue superou o campeão mundial de xadrez Gary Kasparov.
Compartilhe
Assine nossa newsletter pra receber conteúdos exclusivos
Pode relaxar. Eu também odeio spam.